Tá com medo da escolha que você fez não ter sido a certa?
Eu comecei a ler "O Morro dos Ventos Uivantes" achando que ia encontrar drama romântico… Mas acabei encontrando outra coisa: a vida da Emily Brontë. E menina é aí que a coisa fica interessante!
Ei, você!
Tá se sentindo perdida?
Tá sentindo que o tempo tá passando, as pessoas estão realizando coisas e você está meio ‘atrasada’?
Tá com medo da escolha que você fez não ter sido a certa?
Se sua resposta foi sim, talvez eu consiga mudar sua visão.
Recentemente, me envolvi com o livro “O Morro dos Ventos Uivantes”, da Emily Brontë. Muito curiosa que sou, decidi conhecer um pouco mais da história de vida da diva, uma vez que não me recordava de ter ouvido falar de outros livros de sua autoria, além do que estava lendo. Eu só não sabia que eu sairia dessa história repensando um pouco (muito) a minha vida.
Então, de forma bem resumida para você, cara leitora:
Emily Jane Brontë nasceu em 30 de julho de 1818, na Inglaterra e veio a falecer em 19 de dezembro de 1848!! Sim, com 30 anos de idade, super jovem, visto que contraiu tuberculose e a diva desdivou recusando-se que o médico à visse e recusando-se a tomar remédios.
Mas, vem cá, você sabia que o ofício de Emily não era ser escritora? Pois é, menina! A diva era professora! E é agora que a coisa fica interessante! Me acompanha nessa história só por mais algumas poucas linhas:
A irmã, Charlotte, foi lecionar em um colégio e decidiu levar a irmã, Emily, junto para lecionar também. Mas, Emily não se integrou e acabou voltando para casa.
Após isso, Emily tornou-se professora em outra escola, quando tinha 20 anos. Maaas, começou a ter problemas de saúde devido ao estresse da carga horária e voltou para casa.
Então, aquela mesma irmã foi trabalhar em uma outra escola e, novamente, levou a irmã junto consigo para trabalhar. Maaas... a doença e a morte de sua tia Maria obrigaram elas a voltar, de novo, para casa.
Mas calma, as irmãs decidiram se juntar para fundar uma escola!! Mas, é... não conseguiram alunos.
No meio de toda essa história, a diva da Emily estava escrevendo alguns poemas. E após todos esses acontecimentos dos quais citei, a Charlotte, descobriu os poemas da Emily e decidiu publicá-los, juntamente com os seus e os de Anne, sua outra irmã. Vocês já cansaram dos ‘mas’? Porque lá vem mais um: maaaas, apenas dois exemplares foram vendidos, apesar do elogio da crítica.
Só que as irmãs, incluindo Emily, não desanimaram e começaram a escrever suas próprias histórias. Vamos voltar apenas para Emily agora: “O morro dos ventos uivantes” foi publicado em 1847, sob o pseudônimo Ellis Bell (por conta do patriarcado...). E embora tenha recebido críticas na época em que foi lançado, um tempo depois o livro foi incluído no cânone dos clássicos da literatura inglesa. Recebeu várias versões oficiais no cinema e inúmeras adaptações.
Você percebeu isso?? Olha quantas vezes Emily tentou e teve que voltar para casa. Quantas coisas não deram certo para ela. Ao conhecer sua história eu me peguei pensando: será que Emily sentia que estava atrasada? Será que ela sentia que estava perdida? Será que ela sentia que tudo o que fez de nada valeu a pena quando voltava para casa? Será que ela sentia que estava perdendo tempo, em relação aos outros em sua volta?
Porque hoje, em nossa realidade, esse é o sentimento que nos permeia o tempo todo. E olha que sentimos isso, mesmo tendo a expectativa de vida muito mais alta em comparação à época vivida por Emily.
Hoje em dia, a internet e o contexto econômico faz com que vivenciamos a era do imediatismo. Como se esse contexto nos provocasse uma ‘fome’. Uma fome urgente e insaciável. A internet nos apresenta um milhão de possibilidades e como não se sentir perdido no meio de tantas possíveis escolhas?
Como saber que o que eu escolhi é a escolha certa? Afinal, eu não posso voltar para casa, o que as pessoas iam pensar? Como saber se o que eu escolhi vai me levar a ter a mesma vida da influenciadora que vi na internet? Como saber se o que eu escolhi vai me fazer feliz?
E aí?
Nesse tempo em que você está preocupada com os problemas da internet e em querer viver todas as possibilidades que se criam diante dos seus olhos, quais foram as coisas que você viveu porque você simplesmente quis? Quais foram os bons momentos que você teve a partir de suas escolhas sem se preocupar em como os outros iam ver você? Qual foi a escolha que você fez baseado no que você conhece sobre você e no que você sente orgulho de fazer?
A Emily fez história tentando, errando, recomeçando, explorando, insistindo e acreditando que ela era realmente muito boa naquilo que escolheu fazer porque gostava, seja por hobby ou por carreira. Ela tanto sabia que era boa em escrever, que o único livro que conseguiu publicar em tempo de sua morte, se tornou ✨simplesmente✨ uma das maiores referências literárias de romance. Mas olha a ironia: foi voltando pra casa que Emily escreveu esse livro.
Então, penso que talvez o problema não seja estar perdida. Talvez o problema seja não confiar na própria escolha tempo suficiente para ver onde ela te leva. A dúvida não é “qual é a escolha certa?”. A dúvida é: você acredita nela quando ninguém mais está aplaudindo?
Preparada para a ponte para a terapia? Então eu te pergunto:
Quando você não acredita na sua escolha, quem mais vai acreditar?






