Você está vivendo por você ou pelos outros?
Vem cá divas, quando alguém te pergunta “quem é você?” ou “o que você quer?” Você sabe como responder? Tá, eu sei, não é uma resposta muito fácil de se ter, mas vem cá ler isso aqui...
Vem cá divas, quando alguém te pergunta “quem é você?” ou “o que você quer?” Você sabe como responder? Tá, eu sei, não é uma resposta muito fácil de se ter, afinal de contas a pergunta “quem é você” é mais velha do que andar para frente, e se você não precisa parar e pensar por, no mínimo, alguns minutinhos antes de responder, então você provavelmente nem está lendo este artigo, porque, certamente, já transcendeu.
Eu estava lendo ‘A corte de Espinhos e Rosas’ (ACOTAR) e, no livro, conheci a Feyre, uma mona que não entendia direito quem ela era e o que ela queria, visto que a vida dela sempre foi movida por quem ela devia ser para os outros e por o que os outros queriam que ela fizesse. Então, por causa de uma promessa que ela fez para sua mãe (algo que a mãe queria que ela fizesse, inclusive) toda a vida dela foi, até então, baseada em cuidar dos outros.
Mas aí, chega a reviravolta e ela vem cedo: ela é levada contra sua vontade para terras feéricas, na corte primaveril. No início, ela acredita que está sendo levada como uma troca por sua vida, na qual terá que servir o povo feérico pelo resto de sua vida humana. E como a diva é muito boa em fazer o que os outros querem para ela, ela logo questiona: O que tenho que fazer? Quais serão minhas obrigações? Onde posso ajudar nos trabalhos da casa? Mas Tamlin, o Grão-feérico, olha para ela e diz: você é livre e pode fazer o que quiser, diga-me o que quer que arrumo o que for necessário para aquilo que quer fazer. E aí, a mona fica gag e se depara com a questão: como assim ‘o que eu quiser?’ O que eu quero, afinal?
Só que, no fundo, ela sabe o que ela quer, mas é como se ela não se permitisse fazer o que quer, porque ela primeiro precisa fazer o que o outro quer. E ela perde um tempão nisso, tá?
Diante dessa narrativa, Feyre me fez pensar sobre como, muitas vezes, nós deixamos o outro ditar quem nós somos e o que queremos. E, por este motivo, é muito importante que a gente saiba quem nós somos e o que queremos. As relações são extremamente importantes para nós humanos, afinal somos seres sociais, precisamos da conexão com o outro. Mas então, que o outro, ao invés de ditar, seja apenas um reflexo de quem somos, como um canal de entendimento e de aproximação de um autoconhecimento. Afinal, por muitas vezes, eu reconheço quem eu sou na minha relação com outra pessoa, não porque ela vai me dizer quem eu sou, mas é diante da diferença entre essa pessoa e eu, que eu percebo quem eu sou. E para além disso, nessas relações também posso entender que o que eu quero é diferente do que os outros querem.
E isso se dá da mesma forma para os outros, que ao olharem para mim e me perceberem como uma pessoa diferente, também conseguem se entender como diferentes de mim, sabendo, assim, quem são.
E se todo mundo fosse igual, poderia até ser muito confortável não ter que lidar com diferenças, que, ao meu ver, é o que temos de mais incrível. Mas aí não seria humano, né?
Mas, vamos voltar para a nossa diva, Feyre? Bom, como eu tinha dito, a nossa protagonista se negou a fazer o que ela queria por muito tempo, até que ela decide fazer exatamente o que ela quer. E no fundo, ela queria pintar. Então, Feyre num ato de muita coragem de assumir o que ela queria, pediu pincéis e tintas, mas até o seu pedido foi feito pensando em não incomodar o outro com a sua vontade. Ela pediu três cores primárias de tinta, para que ela fizesse as próprias cores. E aí, Tamlin, o grão-feérico, disponibiliza para ela diversos pincéis, todas as cores de tinta que possam existir, inúmeras telas e até mesmo um estúdio para que ela possa pintar e se expressar. Então, ela faz isso. Pinta, se expressa, começa a fazer o que ela quer, começa a se sentir livre, começa a se sentir verdadeiramente feliz neste encontro com ela mesma. E quando ela assume o que ela quer, quando ela vive aquilo que ela realmente quer e não que o outro quer, ela começa a se sentir completa.
E aí se constrói uma linha que, em primeiro momento pode parecer tênue, mas que com a prática é possível desenvolver um olhar mais preciso sobre isso, cabendo ainda a deixa de uma reflexão:
você está reconhecendo você mesma na relação com o outro ou você tá deixando que o outro dite quem você é?






